sexta-feira, 14 de julho de 2017


Aos noventa e sete anos,
a senhora, ereta, chega
à capela mortuária
e detém-se ante o filho
que jaz dentro do caixão.
Acarinha os cabelos
também brancos do defunto
e achegando-se ao ouvido
diz-lhe palavras de amor.
Curva-se sobre o caixão
e deságua toda a dor
que oprime o seu peito.
Nos soluços, diz a si:
“Nem sempre a longevidade
pode ser chamada graça”


Nenhum comentário:

Postar um comentário