quinta-feira, 14 de setembro de 2017


Sinto-me um Orfeu,
porém da minha lira
brotam as palavras
que fazem-se versos.

Mi’a juventude,
perdi-a no ócio
pouco produtivo
da paixão humana.

Cri que a poesia
devolver-me-ia
mi’a juventude
para eu ser feliz.

Desci à morada
dos mortos em busca
de meu eu perdido
para revivê-lo.

Compondo meus versos,
eu cri ser capaz
de, das profundezas
rejuvenescer-me.

Que tola ilusão!
O tempo perdido
não se recupera,
nem o inescrito.


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