quarta-feira, 20 de setembro de 2017


Quanto mais a minha vida se abrevia
e a morte se aproxima com sua lâmina,
mais inquieta-me o tempo que é perdido
com palavras repetidas, sem ações.

Eu vivi a maior parte da existência
planejando o futuro e, no entanto,
pouco do sonhado foi concretizado,
por razões externas e também internas.

Hoje quero surpreender-me a cada dia,
sem saber o que farei a todo instante,
ser amado e amar como eu quis,
junto àquele que nunca teve amor.

Eu não quero enterrar o meu talento
para devolvê-lo intacto ao Senhor.
Quero viver cada dia como o último,
sem perder o tempo meu com meros sonhos

No outono desta vida aprendi
a ter mais sabedoria que ideais,
que é sábio quem constrói à sua volta
um Éden, não para si, mas para todos.


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