quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O POBRE DE DEUS


 “Quem quiser salvar sua vida vai perdê-la,
quem por Jesus perde a vida vai ganhá-la.”
Tal ensinamento parece insensato
para aquele que vive voltado a si.

Conta a história sobre um monge que buscava,
através de orações e sacrifícios,
mais de Deus aproximar-se e, assim,
no futuro a vida eterna alcançar.

Com seus cabelos brancos, certo dia
o tal monge faleceu serenamente
e então viu-se no céu ante uma porta,
sem mais nada a não ser esse madeiro.

Resolveu bater na porta e uma voz
poderosa perguntou: “Quem é que bate?”
Ao que o monge temeroso respondeu:
“Eu, Senhor!”, com a voz trêmula e humilde.

No entanto, para surpresa do monge,
secamente, a poderosa voz lhe disse:
“Vai-te embora, pois aqui não cabem dois”.
E à vida ele voltou no mesmo instante.

Retomando sua rotina no mosteiro,
o idoso redobrou suas orações,
os jejuns e penitências que fazia,
co’a intenção de um dia poder ir p’r’o céu.

Novamente o velho monge faleceu
e encontrou-se ante aquela mesma porta.
Ao bater, a forte voz lhe perguntou:
“Quem é que bate?” Ele disse: “Eu, Senhor!”

Outra vez, nova surpresa para o monge,
secamente, a poderosa voz lhe disse:
“Vai-te embora, pois aqui não cabem dois.”
E à vida ele voltou no mesmo instante.

Apesar de tanta idade e do cansaço,
muitas horas dedicou o velho monge
à meditação e à oração diária
a fim de entender a vontade de Deus.

Quando o corpo não mais podia o suster,
os seus olhos já cansados se fecharam
e outra vez a morte veio acolhê-lo,
na esperança da dar-lhe o repouso eterno.

Deparou-se outra vez, frente à porta
e tocando-a ouviu a voz: “Quem é que bate?”
Debilmente respondeu: “És tu, Senhor!”
Abriu-se a porta e escutou-se: “Pode entrar!” 

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