Desde novo
encantou-me um cemitério,
não o moderno, qual
jardim sem lar,
mas o antigo, com
arte tumular.
Com uma tia,
visitá-lo eu ia
onde repousam os
meus familiares,
e ela falava-me de
outros mortos.
Eu contemplava
retratos antigos
e pelas datas
calculava idades,
penalizado pelos
que eram jovens.
Tantas histórias eu
imaginava,
outras ouvia de
minha velha tia
e preferia a de
casais idosos.
Quanta beleza
naquela união,
insuportável a
separação,
que logo um ia
encontrar o outro!
Quando crescido fiz
minhas viagens,
deixava espaço para
os cemitérios,
grandes museus a
céu aberto erguidos.
Quanta cultura eu
adquiri
com tais visitas em
que aqueles mortos
passaram, então, a
existir p’ra mim.
Ante a balbúrdia e
a confusão do mundo,
eu caminhando entre
tais sepulcros,
sentido encontro
para a vida humana.
Mais que apenas
arte tumular,
todo engenho da
humanidade
vivo está em tantos
cemitérios.
Há nesses campos
grande paradoxo:
mais vida e arte há
em seus silêncios
do que nos centro
de nossas cidades.
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