sábado, 19 de agosto de 2017


Como é triste quem se apega à vida,
arfando-a em vão, pois ela se lhe escapa,
olhos inquietos que à volta procuram
sinais quem espantem para longe a morte.
Se os olhos firmam o que é invisível,
um só suspiro encerra a existência,
na face estampa-se o rosto da morte.

Oposta é a face daquele que espera
serenamente a morte ansiada,
pois nada ficou a dever à vida
e, ao cerrar os seus tranqüilos olhos, 
seu rosto estampa a doçura do sono.


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