Aquele rosto moreno
envolto por brancas flores
na brancura destacava-se
dentro do branco caixão.
Era apenas u’a criança
cuja face estava em paz,
serena e adormecida,
após longa enfermidade.
Ao seu lado, sua avó
contemplava aquele rosto
como jamais ela o vira,
tão tranqüilo e sem dor.
Falando, então, a si mesma,
a avó se consolava
co’os pensamentos que ora
tinha sobre a neta morta:
“Nunca terei a alegria
de acompanhar tuas conquistas,
de ver-te um dia formada,
ou ir ao teu casamento.
Nunca tomarei nos braços
filhos vindos do teu ventre.
Ou de ver-te, simplesmente,
já crescida e mulher.
Mas tenho a alegria
que poucos na terra têm:
saber que no céu habita
um anjo que tem meu sangue”.
E com tal idéia à mente,
envolvida ela sentiu-se
como se abraçada fosse
pelos braços de Deus Pai.
para Miriam
em
memória de Ana Clara
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