segunda-feira, 1 de maio de 2017

QUERO UMA NOITE SEM LUZ


Nas férias da minha infância
em geral ia até Santos,
onde em um apartamento –
propriedade de família –
eu vivia experiências
as quais ‘inda estão comigo.
Comum era, já de noite,
acabar a energia,
apagando-se as luzes;
e a cada noite dessas, nas trevas que então surgiam,
nada havendo a fazer,
a conversa nos unia
em torno a uma vela,
e lembranças do passado
vinham nos impressionar.
Uma tia, tão querida,
a nós contava histórias
que prendiam a atenção
com o sobrenatural.
Das sombras surgiam formas
que aos pequenos davam medo
e também alimentavam
a nossa imaginação.
Penso, fazendo memória
daquelas férias de então,
que as crianças de agora
perdem de suas infâncias
todo o encantamento
que povoava as mentes
dos infantes do passado.
Toda a tecnologia,
despertando inteligências,
não proporciona o lúdico
que é próprio do humano.
Sem a imaginação,
árida torna-se a vida,
cresce a indiferença
e o ser desumaniza-se.
Quero uma noite sem luz,
iluminada por velas,
para conhecer de perto
o que tornou-se folclore.
Quero uma noite sem luz,
iluminada por velas,
para sentir emoções
que me tornem mais humano.


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