Nas férias da minha
infância
em geral ia até
Santos,
onde em um
apartamento –
propriedade de
família –
eu vivia
experiências
as quais ‘inda
estão comigo.
Comum era, já de
noite,
acabar a energia,
apagando-se as luzes;
e a cada noite
dessas, nas trevas que então surgiam,
nada havendo a
fazer,
a conversa nos unia
em torno a uma
vela,
e lembranças do
passado
vinham nos
impressionar.
Uma tia, tão
querida,
a nós contava
histórias
que prendiam a
atenção
com o sobrenatural.
Das sombras surgiam
formas
que aos pequenos
davam medo
e também
alimentavam
a nossa imaginação.
Penso, fazendo
memória
daquelas férias de
então,
que as crianças de
agora
perdem de suas
infâncias
todo o encantamento
que povoava as
mentes
dos infantes do
passado.
Toda a tecnologia,
despertando
inteligências,
não proporciona o
lúdico
que é próprio do
humano.
Sem a imaginação,
árida torna-se a
vida,
cresce a
indiferença
e o ser
desumaniza-se.
Quero uma noite sem
luz,
iluminada por
velas,
para conhecer de perto
o que tornou-se
folclore.
Quero uma noite sem
luz,
iluminada por
velas,
para sentir emoções
que me tornem mais
humano.
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